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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O gesto do dia... não, do ano!




Esqueçam as eleições no Benfica. O debate sobre o Estado da Nação, esta tarde, na Assembleia da República teve muito mais piada do que a salganhada do Luis Filipe Vieira e o "garoto" Bruno Carvalho. O protagonista foi Manuel Pinho, um ministro da Economia dado a "gaffes", é certo, mas hoje ele decidiu meter uns "corninhos" dirigidos ao Bernardino Soares, o lider da bancada do PCP.


Que o cargo é um fardo, é. Que a pressão é muita, é. Que ele já deveria ter ido embora, oh... há eras. Mas este gesto é definitivamente vai ser um dos momentos do ano!


Ah... ele pediu a demissão. E José Sócrates aceitou agora mesmo.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

As últimas da "república do caju"

A Guiné-Bissau voltou a praticar esta madrugada o seu desporto favorito: o assassinato de politicos. Dois meses depois de matarem o presidente da républica, Nino Vieira, e o chefe do Estado Maior, General Tagme Na Waie, esta madrugada, um grupo de homens armados decidiram matar o ex-primeiro ministro Fausto Imbali, o ministro da Administração Territorial em funções e candidato presidencial, Baciro Dabó, e um antigo ministro da Defesa, Hélder Proença.




O Governo de Bissau acusa-os de envolvimento num golpe de estado, que estaria a decorrer na madrugada de hoje, aproveitando a ausência do primeiro-ministro, Carlos Gomes Junior, que se encontra em visita privada a Portugal.


Dabó, um antigo aliado de Nino Vieira, era também membro do partido histórico PAIGC, e apresentava-se como independente às eleições presidenciais, que estão marcadas para 28 de Junho. Desconhecem-se os pormenores desta agitação de hoje, mas existem eleições marcadas para o final do mês. Será que vão acontecer, com estas mortes? Pela lei guineense, o assassinato de um candidato obriga à remarcação delas...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Parece que...

... houve ou um golpe de Estado ou um atentado. Só sei que mataram o Nino Vieira, o presidente do pais. Tinha lido hoje no DN que o chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Waie, tinha sido morto ontem à noite num atentado à bomba ao quartel-general das Forças Armadas em Bissau. Esse militar, crítico feroz de Nino Vieira, afirmara, em Janeiro passado, ter escapado a uma tentativa de assassinato, da qual responsabilizou directamente o clã presidencial. Disse então que o queriam “liquidar".




Enfim, querelas tipicas de um estado falhado. Ou será um narco-estado africano?


Quanto aos contornos da morte do Presidente, um porta-voz do exército, Zamora Induta, disse à agência AFP que Nino Vieira foi “morto pelo exército quando tentava fugir” de sua casa, tendo sido “varrido por balas disparadas pelos soldados”. Enfim, eis o fim de um "herói da independência"... porque não acontecem estas coisas ao cabrão do Mugabe?


Enfim, desabafos à parte, acho que a ideia de uma intervenção semelhante à de 1998 é agora mais possivel que nunca. O que acontecerá ao governo eleito em Dezembro? Continuará a governar com a conveniência dos militares, julgo, para dar um ar democrático à coisa. E será até quando?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Começa a ser cansativo...

... ver o jornal Público a abrir todos os dias com noticias sobre José Sócrates, e as suas "falcatruas". Agora, aparentemente, tem a ver com o facto do seu apartamento na Heron Castilho poder ter sido comprado por um valor inferiro ao acordado. Isso duas duas uma: ou o homem é um grande aldrabão e usou todos os subtrefugios para chegar onde chegou, ou então o jornal sustentado pelo Belmiro de Azevedo é o verdadeiro instigador desta "campanha negra", que é para ver se consegue demiti-lo e levar por diante a sua "agenda politica"...




Não sei, não sou socialista, mas o que é demais cansa. Porque é que não dizem simplesmente que o querem fora do Governo?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

É Carnaval, mas há quem leve a mal

O Carnaval de Torres Vedras tem fama de ser muito satírico, mas para alguém, isso está a ser levado longe demais. Algum idiota sem graça decidiu fazer queixinhas ao Ministério Público, dizendo que um certo carro alegórico andou a fazer pouco do Magalhães, ao colocar por lá imagens de mulheres nuas ou algo assim. Resultado: às 13:30 de hoje, o presidente da Câmara de Torres Vedras recebeu um fax do Ministério Público, dizendo que tinha duas horas para retirar a imagem nesse carro alegórico.


Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1.


Fomos surpreendidos agora cerca da uma hora com um fax do Ministério Público assinado pela senhora delegada do 1º juízo, a qual nos dá um prazo até às 15h30 para retirar o conteúdo do computador Magalhães”, explicou o autarca, citado pela mesma fonte. Carlos Miguel acrescentou que “o que existe é uma sátira ao computador Magalhães com um autocolante que se pressupõe que seja o ecrã”, pelo que não entende o pedido para o retirarem do Carnaval e entregaram mais tarde ao tribunal judicial.


in Público


É nestas alturas que vale a pena usar o direito à desobdiência civil, a unica forma válida de desrespeitar a lei. Para além de isto ser uma Censura (em plena democracia!) é também resultado de falta de sentido de humor. Em vez de terem razão, só arranjam sarna para se coçarem...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E pronto, já está!

"O ministro das Finanças do Japão, Shoichi Nakagawa, abandona a sala da conferência de imprensa onde anunciou, hoje, a sua demissão. A saída do ministro das Finanças ocorre num momento particularmente difícil para a economia japonesa, que registou no quarto trimestre do ano passado o pior registo desde a primeira crise do petróleo em 1974. Em cima dessa "catástrofe" económica surge a demissão do pilar de um governo, o ministro das Finanças, devido às críticas decorrentes do seu comportamento, visivelmente embriagado ou sob o efeito de medicamentos, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do G7, em Roma."


in Público.


Fez bem em sair, caro Nakagawa. Agora pode afogar as mágoas à vontade, sem incomodar ninguém com os seus embaraços. Embora eu recomende que procure um centro de recuperação de alcoólicos, se quer viver mais algum tempo com o mesmo fígado que recebeu de herança...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Já se revelam!

Por fim, o homem revela-se. Querem ver?
"A proibição de despedimentos em empresas que obtenham lucros e a proibição de que as empresas que recebem apoios do Estado distribuam lucros pelos seus accionistas são as duas medidas propostas por Francisco Louçã, coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda, ao iniciar, hoje ao fim da manhã, a VI Convenção deste partido, que decorre até amanhã, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa. Na sala a ouvir Louçã, estava o líder da CGTP e militante do PCP, Manuel Carvalho da Silva. (...)

“Queremos que sejam proibidos os depedimentos empresas que têm resultados”, anunciou Louçã, depois de lembrar que o desemprego pode chegar aos dez por cento este ano e de criticar atitudes de empresários como a que atribuiu a Américo Amorim que, segundo Louçã, teve “dez milhões de euros de lucro” e pretende despedir 193 trabalhadores “preventivamente”.

Louçã considerou que o país faria “melhor em despedir estes patrões”e defendeu que “o capital nada faz, é o trabalho que faz”, rematando: “Tiveram resultados? Tiveram lucros? Foi o trabalho. É tempo de devolverem.”

Já a segunda medida, a não distribuição de lucros a empresas apoiadas pelo Estado, foi justificada por Louçã com o argumento de que “em anos excepcionais é que é preciso coragem”. Acusando o Governo de ter “a obsessão das privatizações”, o líder do BE marcou a diferença em relação ao seu partido: “Para José Sócrates tudo o que é estratégico deve ser negócio. Para o Bloco tudo o que é comum deve ser público.”

E classificando alguns banqueiros portugueses de “donas Brancas”, defendeu o serviço público bancário, para rejeitar a “nacionalização de prejuizos”. E como conclusão, anunciou: “Não aceitamos que as empresas que recebem beneficios, isenções ou avais do Estado, utilizem dinheiro público para pagar aos seus accionistas.”





Que o Bloco é anticapitalista, tudo bem. Que a Banca e a Bolsa (e as suas grandes especulações ao melhor estilo Madoff) foram culpadas pelo enorme buraco em que metemos, e que deveriam ser castigadas por isso, está correcto. Mas estas medidas que li agora não soam ao pior do chavismo sul-americano?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Até tu, Partido Comunista Português?

Nunca tantos querem o poleiro, para poderem fazer a sua politica. Até o Partido Comunista. A entrevista vai ser divulgada na integra no Domingo, mas Jerónimo de Sousa já largou a bomba: não exclui um acordo de coligação pós-eleitoral com o PS, caso não exista maioria absoluta.




Em entrevista conjunta do Radio Clube Português e do Correio da Manhã, feita hoje, mas que vai para o ar no Domingo, Jerónimo de Sousa não exclui uma coligação pós-eleitoral.


Cada coisa no seu tempo. Em primeiro lugar que as contas que têm de ser feitas que se façam. E depois da opinião dos portugueses, através das eleições definiremos cenários”. (...) “A questão é esta. Coligações em torno de quê? De que política? De que compromisso?





As eleições ainda estão distantes, mas o PC já marca posição. Digam o que disser, eles apostam num cenário, e divulgou o seu jogo. Agora resta saber se os eleitores estão dispostos a isso. "Assim se vê, a ambição do PC..."

Não pode, nem deve!

A campanha do "Pinócrates", da JSD nacional, e do qual tinha falado num post anterior, já causou a previsivel polémica, quando o ministro Augusto Santos Silva, perguntou `la lider do PSD, Manuel Ferreira Leite, se ia demarcar do cartaz.


"'Compreendemos que a JSD é sempre mais irreverente mas há um ponto que me parece evidente: é evidente que vamos continuar a fazer oposição', garantiu. Para a líder do PSD, 'há promessas importantes com as quais o Governo PS ganhou eleições e não está a cumprir'. 'De forma mais irreverente, como faz a JSD, ou mais reverentes, como faz a comissão política do PSD, vamos continuar' a fazer oposição, reiterou."




Bom, como sabem, estamos em ano de eleições. E nesta altura, é bom agitar um pouco as águas, com um pouco de irreverência. Afinal de contas, não podem ser só os meninos do Gato Fedorento a fazer piada com o primeiro ministro, não é? Força aí, rapazes!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O "Barco do Aborto" é desenterrado

Quatro anos e meio depois da fantochada que o Paulo Portas armou, só para impedir a entrada do país de um pequeno arrastão, alugado por uma ONG holandesa que defende a pratica do aborto, o Estado Português foi condenado a pagar uma multa a essa ONG por "atentado à liberdade de expressão". O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem fixou as indemnizações em dois mil euros para cada um dos requerentes, por danos morais.

Contudo, apesar de agora, o aborto ser legalizado em Portugal, e as coisas estarem mais calmas do que agora, o recordar do perfeiro disparate do Ministro da Defesa, nessa altura, (finais de Agosto de 2004, altura em que governava o disparatado Pedro Santana Lopes) fez com que Portas defendesse, hoje, a decisão que tomou nessa altura.
"Paulo Portas, que era à data ministro da Defesa, frisou que a decisão teve a ver 'não com qualquer opinião pessoal' mas 'com a protecção da legalidade portuguesa vigente à época, que em 2004 só permitia o aborto em três circunstâncias excepcionais'. 'O grupo [que fretou o navio] não pretendia defender outra posição mas permitir que no barco fosse praticado o aborto noutras circunstâncias que não as da lei vigente', disse Paulo Portas, num comentário à decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que hoje condenou Portugal por ter proibido a entrada daquele navio."
Ai Paulinho, Paulinho... o hipócrita de sempre. Olha lá, quando é que sais do armário? Vai ser além-túmulo, como o teu amigo Haider?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A partir de Segunda-Feira...



... num outdoor perto de si. E

gostei do nome!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Afinal...


Muito barulho para nada. É tudo alegações e suspeitas, inglesas e portuguesas. E enquanto as coisas não forem claras, ele tem toda a autoridade para contra-atacar, afirmando "que tais alegações são difamatórias", não é? E o "discurso do coitadinho" vai acontecer até às eleições. Se não encontrarem nada "preto no branco" até Outubro, vai ser outra maioria absoluta...

A qualquer momento...

José Sócrates vai falar ao país. O Freeport está mesmo a queimar... uma possivel demissão e eleições antecipadas seria considerada como uma "fuga para a frente"?

sábado, 24 de janeiro de 2009

Eis um escândalo que ganha fôlego...

Confesso que não entendo muito bem esta coisa do Freeport. O Telejornal da SIC está no ar há 42 minutos e o unico assunto que vi até agora é o tal projecto que foi aprovado "às cavalitas".

Que o poder corrompe, é certo. Que o Sócrates pode ter aqui o bedelho na coisa, aparentemente sim. Mas, já que as TV's andam atrás do tio do Sócrates, a fazerem directos da casa do homem, ainda não se lembraram de ir à casa do Mr. Charles Smith? Daqui a Londres é um pulo de duas ou três horas...

Enfim, acho que isto não vai acabar em nada. Dizendo melhor: se tudo for provado, põem o Sócrates na prisão e demolem o Freeport?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Say it!





Vê-se que o mundo ansiava por Barack Obama. Um bom exemplo daquilo que refiro é algo que descobri hoje: uma video de remistura do duro electrónico francês Daft Punk (do qual nunca fui grande fã, digo) com Adam Freeland, de seu nome "Aer OBAMA", feito em "stop motion" com bonecos de Playmobil e Legos, onde não falta... o boneco do Obama.



Estamos mesmo ansiosos por ele. E confesso que estou nessa turba...

Para quem quiser ler antes do jornal...

O jornal Público foi amigo e colocou aqui, na integra e em Português, o discurso inaugural de Barack Obama. É histórico, sem dúvida, pois arrancamos numa situação má, e todas as esperanças do mundo estão com ele. Que tenha força de vontade para atravesasar a tempestade e restaure a dignidade da "Res Pública", que estamos aqui para servir o Povo e não "servir-se do Povo"...




E ao contrário de uma amiga minha que o saudou dizendo: "Welcome to the Jungle!" eu faço minha a saudação Jedi: "Que a Força esteja Consigo!"

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Hoje é um grande de orgulho para a Raça. Humana.

Já não deve faltar muitos minutos para a tomada de posse, mas acho que hoje deve ser o primeiro dia do resto das vidas a muita gente. Todas as esperanças e expectativas de uma América, que está desiludida e em crise e um Mundo zangado, desiludido e desamparado (e também em crise) está virada neste senhor, que veio ao mundo com uma mensagem de esperança, e não é Jesus Cristo!


Mas como ontem meti uma das minhas musicas favoritas dos U2, feita em homenagem ao Martin Luther King, hoje, recordo do discurso que ele fez, provavelmente um dos mais memoráveis do século XX, feito por um homem de paz, que apenas pedia igualdade a todos, e dignidade à pessoa humana. Depois de Jesus Cristo, nos últimos duzentos anos, só me lembro de três pessoas que mexeram o mundo com este tipo de mensagem, e o mesmo tipo de dignidade: Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela. Espero que o Barack Obama seja o quarto.




E para o fim, dixo os meus expcertos favoritos do discurso "Eu tenho um Sonho" do Martin Luther King:
"Eu tenho um sonho. Que um dia esta Nação ira erguer-se e viver o verdadeiro significado das palavas "Mantemos estas verdades como evidentes, que todos os homens são iguais" (...)




Eu tenho um sonho. Que as minhas quatro pequenas crianças irão viver um dia numa Nação onde serão julgadas não pela cor da sua pele, mas pelo seu caractér. (...)



Eu tenho um sonho. Que um dia, nas vermelhas colinas da Georgia, os filhos dos escravos e os filhos dos donos de escravos sejam capazes de se sentarem juntos numa mesma mesa de fraternidade" (...)


"Que os sinos da liberdade ecoem. E quando isso acontecer, que eles ecoem por todas as casas de todas as vilas e cidades, e que todos os filhos de Deus, Judeus e Gentios, Protestantes e Catolicos, juntem as mãos e cantem em conjunto a velha canção religiosa negra: 'finalmente Livres, finalmente Livres, Gracas a Deus Todo-Poderoso, finalmente somos livres!'"


Se existir algum dia próximo daquele que Luther King sonhou, então deve ser hoje.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Quelquer fim que isto significa...


"O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, anunciou uma trégua unilateral na ofensiva na Faixa de Gaza, que entra em vigor a partir das 02h locais (meia-noite em Lisboa). Mas com as forças israelitas a permanecerem em Gaza e com o Hamas a recusar parar os ataques, não é claro o que vai acontecer no terreno."

in Público.


Só o primeiro paragrafo da noticia diz tudo. Amanhã, o Hamas lançará um ou outro foguete para Sderot ou Askhelon. E lá voltamos ao mesmo... estes tipos são teimosos até à medula. Pelo menos enquanto tiverem apoio. Isto só lá vai com diplomacia e cansaço.


E já agora, outra coisa: já repararam que estamos a três dias da tomada de posse do Barack Obama? Eu julgava que só iriam parar daqui a dois dias... a "realpolitik" não é assim tão linear.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX (parte IV)




O ano de 1968 já tinha chegado a meio, e o mundo andava em sobressalto. O Vietname era um atoleiro, Martin Luther King fora assassinado, e a campanha presidencial desse ano estava ao rubro, não tanto como o que se passa hoje. A campanha, apesar de ter todos os moldes que tem hoje, o momento decisivo não era em Março, mas sim em Junho, com as Primárias na California. E como depois da renuncia de Lyndon Johnson, era uma corrida aberta entre democratas, enquanto que no campo republicano, depois do fracasso que foi o extremista Barry Goldwalter, escolhiam um candidato mais consensual, o ex-vice presidente Richard Nixon, que fora derrotado por John F. Kennedy oito anos antes.



No caso democrata, três nomes sobressaiam: o vice-presidente de Johnson, Eugene McCarthy, o senador do Minessota, Humbert Humpfrey e o Senador por Nova Iorque Robert Fitzgerald Kennedy (RFK). Fizera campanha prometendo que assim que fosse persidente, iria trazer os soldados para casa. Anti-guerra, mais liberal que o seu irmão, também tinha experiências governaticva, como Secretário da Justiça, onde ficou mesmo depois da morte do seu irmão. Afastou-se do Governo para se candidatar a Senador por nova iorque, onde ganhou. E em Março de 1968, desafiando Johnson, anunciou a sua presidência.



A luta era renhida, e RFK perdeu alguns estados para Humpfrey, e tudo se jogava naquela solarenga tarde de Junho. E outro candidato estava na liça, e o natural favorito: o então vice-presidente, Eugene McCarthy. Antes da eleição, McCarthy estava na frente, mas uma vitória decisiva, numa contagem onde era "winner takes all", mesmo com um voto a mais, para Kennedy, significava que estava numa posição de força para a Convenção Democrata, em Chicago, marcada para Agosto. E nessa altura, as Convenções eram para valer, e não o "show-off" que estamos habituados a ver, pois nessa noite, Johnson dera ordens expressas a McCarthy e Humprey para que se juntassem, no sentido de derrotar RFK na corrida presidencial.


E na noite em que RFK faz o discurso de vitória e diz "agora vamos para Chicago", parecia que ele tinha o impulso para conseguir um milagre, que era a nomeação democrata, contra Nixon. Mas o destino foi cruel: um desiquilibrado de 21 anos de origem palestiniana, Shiran Shiran, aponta uma pistola à nuca de RFK e atinge-o mortalmente na cabeça. Resiste por um dia, mas morre na madrugada de terça-feira. O pais estava mais uma vez em choque.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX ( Parte III)





Saltemos mais algumas semanas em 1968, para o dia 4 de Abril, uma sexta-feira. Em Memphis, no Tenessee, Martin Luther King, o proeminente líder dos Direitos Civis, e que cinco anos antes tinha feito o famoso discurso "I Have a Dream", era morto a tiro na varanda do motel onde se instalara, na cidade.


O atentado ocorrera à tarde, e já tinha sido feito uma emissão especial dirigida por um jovem Dan Rather (que sucedeu 15 anos depois a Cronkite na CBS Evening News) logo, houve mais do que tempo para fazer directos da cidade, e recolher elementos sobre as ondas de choque que estavam a acontecer na América nesse dia, cijas tensões raciais latejavam, ainda por cima, em ano de eleições presidenciais, onde a América, envolvida até à medula pelo atoleiro que era a Guerra do Vietnam, também combatia nas ruas contra este envolvimento numa guerra injusta (recorde-se, em 1968, o recrutamento era obrigatório nos Estados Unidos).


No final daquele dia, Walter Cronkite, no seu CBS Evening News, resumia os acontecimentos desse dia. De maneira sobria, mas decidida, e sobre o impacto que aquilo iria ter na sociedade americana. Entre as peças que se encontram neste video, está uma declaração do então presidente Lyndon Baines Johnson, e uma parte do seu famoso ultimo discurso, onde afirmou que "tinha chegado ao topo da montanha". Palavras proféticas... Naquele ano tempestuoso de 1968, este era mais um episódio turbulento. Outros iriam surgir, infelizmente...