A minha costela de escritor, que vai tentar escrever sobre a vida nas suas multiplas facetas. A partir daqui criarei (ou tentarei criar) obras de ficção, porque muitas vezes, a realidade é mais chocante.
"Wacko Jacko is dead!" O artista fica, o homem foi-se. Agora vem a segunda parte, aquela em que aparecerão os tributos, os relançamentos e as biografias não autorizadas... o Natal de 2009 vai ser quente!
Vai ser também engraçado em saber se muitas das "estórias" tem algum fundo de verdade ou apenas treta dos tablóides, não é? Mas tirando toda aquela treta da pedofilia e dos seus hábitos estranhos, o artista era algo irrepetível, quer na maneira como se comportava em palco, quer na maneira como fazia os seus videos. Os anos 80 não são o que são sem a presença dele, isso é verdade.
David Carradine, o homem que encarnou Kwai Chang Caine em "Kung Fu" e que recentemente foi Bill nos dois filmes da saga "Kill Bill", de Quentin Tarantino, morreu esta Quarta-feira em Bangkok, aos 73 anos de idade. Carradine estava na Tailândia em filmagens quando foi encontrado com uma corda ao pescoço e... ao pénis, o que sugere asfixiação autoerótica.
Caso seja verdadeiro, não seria a primeira vez que uma celebridade tem uma morte destas. Em Dezembro de 1997, o então vocalista dos INXS, Michael Hutchence, foi encontrado morto no seu quarto de hotel em Sydney, com o seu cinto à volta do pescoço, numa posição que sugeria asfixiação autoerótica. Contudo, isso não foi confirmado então pelo médico legista que fez a autópsia ao cantor australiano.
Nascido a 8 de Dezembro de 1936 como John Arthur Carradine, vinha de uma familia de actores: o seu pai John Carradine, o seu irmão Rruce e os seus meio-irmão Keith e Robert, todos actuaram em TV, teatro e cinema. Começou a sua carreira na TV, em 1964, e em 1966 participa na série Shane, de curta duração. Seis anos depois faz a série que o torna famoso: "Kung Fu". A sua personagem, Kwai Chang Caine, é um mestre de kung fu que sai da china e percorre o Oeste Americano, em meados do século XIX. A série dura quatro anos e foi nomeado para o primeiros dos seus quatro Globos de Ouro para TV.
Fez depois um biopic de Woody Guthrie em 1976, chamado "Bound For Glory", em 1985 teve uma participação secundária, mas memorável na séreie televisiva "Norte e Sul", como Justin LaMotte, o marido colérico de Madelaine Labray, a apaixonada de Orry Main. Em ambas as situações foi nomeado para Globos de Ouro.
Fez mais de cem filmes e séries televisivas, e mais recentemente, para além da recuperação por parte de Quentin Tarantino em "Kill Bill", mas também teve participações em séries como "Alias" e files como "Death Race".
Aconteceu este Domingo no estado norte-americano da Florida: um passageiro aterrou o avião depois do seu piloto ter morrido, vítima de ataque cardíaco. Quem conta isto hoje é a revista Visão, no seu site.
"O incidente ocorreu do domingo, na Flórida e mereceu a classificação de "milagre de Páscoa" pela associação norte-americana dos controladores de tráfego aéreo.
Por volta das 13h30, um King Air de dois motores, com quatro passageiros a bordo, dirigia-se para Jackon, Mississipi, depois de descolar de Marco Island, na Florida.
O piloto notificou os controladores que o avião se encontrava a 9 mil pés, mas depois deixou de responder. Momentos depois, uma outra voz surgiu aos ouvidos dos controladores: o passageiro Doug White informou que o piloto estava inconsciente e que precisava ajuda.
O avião encontrava-se em piloto automático e já chegara aos 10 mil pés de altitude.
White explicou mais tarde aos jornalistas que tem licença de piloto e cerca de 130 horas de experiência aos comandos de um Cessna, mas nunca tinha pilotado um bimotor.
Com as instruções dos controladores, o passegeiro desligou o piloto automático e iniciou a descida para aterrar no aeroporto internacional de Southwest Florida." Anda-se a ter muitos milagres por aquelas bandas... O video, da CNN, mostra a conversa entre os controladores aéreos locais e o inesperado piloto, e pode-se dizer que ainda bem que havia um Plano B. Inesperado, mas era.
Nas televendas americanas, que ocorrem sempre no final da noite (ou seja, é só para encher chouriçospara que as cadeias não noticiosas tenham 24 horas de emissão ininterrupta), aparecem todo o tipo de produtos, algums deles tão esquisitos como inuteis. Mas há alguns que raiam o absurdo. Esta descobri através de um amigo meu no Twitter: a "Hawaian Chair", uma cadeira que mexe como se fizesse o "hula" havaiano.
No anuncio diz que isso faz trabalhar as tuas abdominais, mesmo no escritório, onde trabalhas 40 horas por semana, e assim evita as idas ao ginásio, mas como a Ellen De Generies comprova, as cadeiras podem ser como o computador HAL do "2001, Odisseia no Espaço": mesmo a perfeição pode dar para o torto.
Agora, que seria engraçado ver a Assembléia da República com estas cadeiras para os deputados, lá isso seria!
O número de americanos que se consideram cristãos diminuiu nos últimos 18 anos nos Estados Unidos, enquanto a percentagem de pessoas que declaram não ter religião aumentou, revela um estudo do Trinity College, do Connecticut.
(...)
O número de agnósticos, ateus ou de pessoas que não se identificam com qualquer confissão religiosa duplicou neste período e representa hoje 15 por cento dos norte-americanos, o equivalente a 4,7 milhões de pessoas. Metade serão agnósticos e metade ateus, refere o estudo. Em 1990, eram apenas 8,2 por cento e em 2001, data em que este estudo foi feito pela segunda vez, 14,1.
Por outro lado, o número de americanos que se identificam como cristãos baixou de 86 para 76 por cento. Com o crescimento dos católicos e, sobretudo, dos evangélicos, foram os protestantes “tradicionais” quem pagou a factura desta descida. (...)
Vá lá... nem todos os americanos são loucos. E quando a religião se tornou numa arma politica, o que é contrário à lei de separação da Igreja com o Estado, acho que isto é uma espécie de reacção. Cada vez mais americanos chegam à conclusão que entre religião e consciência, o bom senso ganha terreno...
Vi nos telejornais a anunciar o regresso de Michael Jackson aos palcos, naquilo que a imprensa musical já chamou de "tour da última oportunidade", quase 17 anos depois do "Dangerous", e depois de todas as acusações de pedofilia ao longo desta última década. O artista, agora com 51 anos, afimou numa curta declaração que "Só quero dizer que estes vão ser os meus últimos concertos em Londres", disse, sem explicar que serão concertos de despedida a nível mundial.
Michael Jackson não especificou quantos concertos dará, mas em Londres foram afixados vários cartazes a anunciar que serão dez actuações em Julho na O2 Arena, com o título "This is it". "Eu vou tocar as músicas que os meus fãs querem ouvir", afirmou Michael Jackson numa curta declaração pública. A sala tem capacidade para 20 mil espectadores e acolheu em 2007 uma série de 21 concertos de Prince.
Esta será a primeira vez que Michael Jackson actua ao vivo desde 2001, ano em que lançou o álbum "Invincible". A última digressão data de 1997.
Na edição de hoje do jornal britânico "Evening Standard", revelou que Michael Jackson terá entregue exames médicos a comprovar que está apto para dar um concerto. Segundo o jornal, Jackson receberá cerca de 56 milhões de euros só por estes concertos em Londres. Espero que sirvam para abater a sua colossal dívida... pois em 2008 viu-se obrigado a vender o rancho Neverland, de que era proprietário na Califórnia, e chegou a anunciar um leilão - que já tentou cancelar - de mais de dois mil objectos pessoais, discos de ouro e platina e uma limusina.
Uma ultima questão minha: será que ele vai actuar nesses concertos de cara descoberta?
"O diário norte-americano "The New York Post" pediu desculpas por ter publicado um cartoon que foi criticado por comparar o Presidente Barack Obama a um chimpanzé.
Um chimpanzé morto no chão por uma bala da polícia enquanto um dos agentes comenta para o parceiro: 'parece que vão ter de encontrar para escrever a próxima lei do estímulo [económico, uma referência ao plano para a recuperação da economia americana da Casa Branca]. Foi esta a comparação – feita a partir do caso do em que um chimpanzé foi morto pela polícia no Connecticut, após ter atacado um homem - que fez com que o "New York Post" fosse criticado por comparar Obama a um chimpanzé.
Num editorial colocado online, dois dias após a publicação do "cartoon", o jornal pede desculpas pela imagem e afirma que o objectivo era apenas ridicularizar o plano federal para a economia. “Pedimos desculpa a todos os que se sentiram ofendidos pela imagem”, lê-se no editorial.
No entanto, o texto considera que a polémica foi desencadeada por adversários do jornal, que viram aqui uma oportunidade para se vingarem. Tratando-os os como “oportunistas”, o texto diz que “nenhuma desculpa é devida” a esses antagonistas.
O pedido de desculpas surgiu após 200 pessoas se terem manifestado à porta do jornal, exigindo o respectivo encerramento: “Boicotem o Post! Fechem-o!” era a palavra de ordem dos manifestantes. (...)
Tão a ver? Desculparem-se pela cagada que fizeram até é bonito. Mas isso não os impede de chamarem de palhaços. Não só pelo editorial agressivo que lançaram, mesmo quando pediram desculpas, mas pelo estilo agressivo de direita...
Parece que só gosto de polémicas, não é? Mas esta pode ser um pouco mais grave. Eis como um jornal sensacionalista (ou "yellow journalism",como se diz na América) transforma um caso banal em algo polémico e perturbador. Na passada segunda-feira, um chimpanzé atacou a mulher que o cuidava, e a policia não teve outra hipótese senão abatê-lo. Isso passou no vizinho estado do Connecticut.
Ontem, o jornal New York Post publicou uma caricatura de Sean Delonas, onde se mostra dois policias, com um deles com a pistola na mão, enquanto que o macaco, morto com duas balas, jazia no chão. Um dos policias diz: “Terão que encontrar outra pessoa para escrever o novo plano de estímulo económico”. Esta frase referência a primeira grande medida económica de combate à crise assinada ontem pelo Presidente Obama, fez com que muitos considerassem que o cartoon associa a figura do chimpanzé à do presidente americano.
Isso é algo que fez pular as associações civicas, muito sensiveis a este tipo de factos. Al Sharpton, pastor da Igreja Baptista e activista dos direitos civis, indicou que o cartoon é, “perturbador”, dados os “ataques racistas históricos contra afro-americanos como sendo sinónimos de macacos”. E acrescentou: “Sendo que o plano de estímulo económico foi a primeira grande vitória legislativa do Presidente Barack Obama, e tendo-se tornado um sinónimo da sua pessoa, não é descabido perguntar: estarão eles a querer dizer que o macaco escreveu o plano?... O Post deveria, no mínimo, clarificar o que é que estavam a tentar dizer, ou então repreender o cartoonista”, disse.
O governador do estado de Nova Iorque, David Paterson (curiosamente, outro negro), indicou a uma estação de televisão local que seria “muito importante o New York Post explicar o que é que o cartoon pretendia mostrar”. Mas o jornal contra-atacou, acusando Sharpton como alguem com "sede de protagonismo", o que é verdade.
“O cartoon é uma clara paródia a um evento noticioso, com o objectivo de satirizar o abate de um chimpanzé violento no Connecticut”, disse Col Allen, redactor-chefe do Post. “De forma mais abrangente satiriza os esforços de Washington para reavivar a economia. Mais uma vez, Al Sharpton dá-se a conhecer como um oportunista”, concluiu.
Ambos os lados têm razão e não o têm. Por um lado, temos um jornal popularucho, tendencialmente de direita, que não se importa de dar uma bicada racista de quando em quando. Por outro lado, sendo um jornal pertencente a Rupert Murdoch, nada se admire que haja sempre esse tipo de polémica, pois ele adora-a, e sabe que vende jornais... por outro lado, temos pessoas como Al Sharpton, que também é outro populista, mas negro (já se candidatou á presidência), que cavalga na onda mais próxima que existir.
So que no final, existe algo sensível. E não falo no macaco morto. É na imagem que passa. Sabe-se que há muta gente na América que quer ver Barack Obama morto, pois acham que ele não é americano, que é muçulmano... enfim, é contra-natura. E essa imagem pode sugerir que até é bom matar esse homem.
... vinte anos depois, o genérico dos Simpsons vai sofrer alterações. E não é só o Bart Simpson a fazer publicidade descarada ao HDTV "vale cada cêntimo", escreve ele no quadro da escola, mas também pela inclusão das várias personagens da qual fazem parte ao longo dos masi de vinte anos que a série leva, e por causa disso, é uma das mais duradoiras da história da TV americana e mundial.
Apesar do "gag" ser diferente, não deixa de ter a sua piada. Agora tem o avô Simpson no carro, os milhentos filhos do Apu e um cartaz do Krtusy a dizer que "agora fazemos funerais"...
As pessoas sabem que a Internet é um fenómeno que "explodiu" em meados dos anos 90 para o público em geral. Lembro-me de falar sobre isso em 1993, mas a explosão aconteceu no ano seguinte. E a Web 2.0, do qual o Blogger é um deles, só começou a ester disponivel no final do século (o primeiro blog é de 1999, creio eu).
Mas foi engraçado descobrir isto: uma peça de TV sobre as edições electrónicas dos jornais. Nada de novo, pois todos têm. Mas esta peça, da estação local KRON, de Sâo Francisco, foi feita em... 1981. O futuro já estava a ser anunciado, mas poucos ligaram...
A 22 de Janeiro de 1973, a noticia tinha brotado inesperadamente: em Paris, Os Estados Unidos, o Vietname do Norte e o Vietname do Sul tinha finalmente chegado a um acordo de paz, do qual ficou para a História como o "Tratado de Paris". Henry Kissinger, o enviado especial do presidente Nixon, tinha chegado a um acordo com Le Duc Tho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Vietname do Norte, que visava o cessar dos combates e a retirada das tropas americanas da região. Após quase 30 anos de guerra, a paz, aparentemente, tinha chegado a aquele país do Sudeste Asiático.
Mais tarde, Kissinger e Tho seriam galardoados em conjunto com o Nobel da Paz desse ano, mas o ministro vietnamita recusou o prémio, pois nessa altura, o acordo tinha chegado ao ponto de "letra morta", pois os combates continuavam. Dois anos depois, a 29 de Abril de 1975, os norte-vietnamitas tomavam Saigão, terminando oficialmente a guerra, e a reunificação do Vietname, sob um regime de inspiração marxista.
Mas na CBS, no final de uma das peças referentes ao Acordo, vê-se Walter Cronkite ao telefone, com um dedo espetado, dando sinal de espera. Estava a receber a chamada de Tom Johnson, o adido de imprensa do ex-presidente Lyndon Johnson, informando que o antecessor de Nixon tinha acabado de falecer no seu rancho do Texas, vítima de ataque cardíaco. Johnson, então com 64 anos, sofria do coração há já vários anos, e semanas antes tinha sofrido outro ataque. Cronkite era o primeiro a saber, antes da concorrência, por um canal priveligiado. Era mais um sinal de que era de facto o melhor da sua profissão, e a CBS fora a primeira cadeia de TV a informar a morte do Presidente Johnson.
Vê-se que o mundo ansiava por Barack Obama. Um bom exemplo daquilo que refiro é algo que descobri hoje: uma video de remistura do duro electrónico francês Daft Punk (do qual nunca fui grande fã, digo) com Adam Freeland, de seu nome "Aer OBAMA", feito em "stop motion" com bonecos de Playmobil e Legos, onde não falta... o boneco do Obama.
Estamos mesmo ansiosos por ele. E confesso que estou nessa turba...
O jornal Público foi amigo e colocou aqui, na integra e em Português, o discurso inaugural de Barack Obama. É histórico, sem dúvida, pois arrancamos numa situação má, e todas as esperanças do mundo estão com ele. Que tenha força de vontade para atravesasar a tempestade e restaure a dignidade da "Res Pública", que estamos aqui para servir o Povo e não "servir-se do Povo"...
E ao contrário de uma amiga minha que o saudou dizendo: "Welcome to the Jungle!" eu faço minha a saudação Jedi: "Que a Força esteja Consigo!"
Já não deve faltar muitos minutos para a tomada de posse, mas acho que hoje deve ser o primeiro dia do resto das vidas a muita gente. Todas as esperanças e expectativas de uma América, que está desiludida e em crise e um Mundo zangado, desiludido e desamparado (e também em crise) está virada neste senhor, que veio ao mundo com uma mensagem de esperança, e não é Jesus Cristo!
Mas como ontem meti uma das minhas musicas favoritas dos U2, feita em homenagem ao Martin Luther King, hoje, recordo do discurso que ele fez, provavelmente um dos mais memoráveis do século XX, feito por um homem de paz, que apenas pedia igualdade a todos, e dignidade à pessoa humana. Depois de Jesus Cristo, nos últimos duzentos anos, só me lembro de três pessoas que mexeram o mundo com este tipo de mensagem, e o mesmo tipo de dignidade: Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela. Espero que o Barack Obama seja o quarto.
E para o fim, dixo os meus expcertos favoritos do discurso "Eu tenho um Sonho" do Martin Luther King:
"Eu tenho um sonho. Que um dia esta Nação ira erguer-se e viver o verdadeiro significado das palavas "Mantemos estas verdades como evidentes, que todos os homens são iguais" (...)
Eu tenho um sonho. Que as minhas quatro pequenas crianças irão viver um dia numa Nação onde serão julgadas não pela cor da sua pele, mas pelo seu caractér. (...)
Eu tenho um sonho. Que um dia, nas vermelhas colinas da Georgia, os filhos dos escravos e os filhos dos donos de escravos sejam capazes de se sentarem juntos numa mesma mesa de fraternidade" (...)
"Que os sinos da liberdade ecoem. E quando isso acontecer, que eles ecoem por todas as casas de todas as vilas e cidades, e que todos os filhos de Deus, Judeus e Gentios, Protestantes e Catolicos, juntem as mãos e cantem em conjunto a velha canção religiosa negra: 'finalmente Livres, finalmente Livres, Gracas a Deus Todo-Poderoso, finalmente somos livres!'"
Se existir algum dia próximo daquele que Luther King sonhou, então deve ser hoje.
Desde pequeno que sempre gostei da canção. Anos depois soube que significava uma homenagem a Martin Luther King (e ainda por cima, hoje é feriado a honrar a sua memória). Amanhã, Barack Obama vai tomar posse como o 44º Presidente dos Estados Unidos, e terá uma longa tarefa pela frente. Desejo-lhe toda a sorte do mundo. E de uma certa forma, ele está a cumprir o sonho de King, quarenta anos depois de o terem matado. E o melhor sinal de que o sonho dele vive!
O ano de 1972 era de eleições. Richard Nixon procurava a reeleição, para ser o homem que ficaria à frente dos destinos da Nação no ano do Bicentenário. O Nixon público era completamente diferente do Nixon privado, obcessivo com tudo e com todos, trapaceiro, paranoico, oportunista, e que não olhava a meios para chegar a fins.
De Junho a Outubro, pouco se ligou ao escândalo, pelo menos fora de Washington e do "Washington Post" (Carl Bernstein e Bob Woodward estavam na secção da cidade, um departamento mais secundário). Era ano de eleições, e Nixon ia a caminho de uma assegurada reeleição, contra um candidado democrata, George McGovern, demasiado fraco, com uma agenda demasiado radical, logo, impotente para conter a "maré vermelha". Mas poucos dias antes da reeleição, a 27 de Outubro de 1972, Walter Cronkite apresentava uma matéria especial de 14 minutos (longo, muito longo para televisão) sobre o Caso Watergate, e demonstrava ao país a profundidade que este simples assalto à sede do Partido Democrata tinha. E ia, depois viu-se, até ao topo.
Se hoje em dia se louva Bob Woodward e Carl Bernstein pelo seu trabalho no deslindar do escândalo, e se refere Mark Felt (1913-2008) como a sua maior fonte (o famoso "Garganta Funda"), não se pode esquecer que Walter Cronkite também deu um empurrãozinho na divulgação, via TV nacional, do escândalo mais famoso da segunda metade do século XX.
Esta musica é dedicada ao Comandante Chesley Sullenberger, o homem que estava aos comandos do Airbus A320 que conseguiu o milagre de aterrar no Rio Hudson, na quanto-feira à tarde, e salvar os 154 pessoas que iam a bordo. Espero que lhe dêm, no mínimo, uma condecoração!
Há pouco mais de uma hora atrás, um avião Airbus A320 da US Airways, vôo1549, aterrou de barriga em pleno Rio Hudson, em Nova Iorque, depois de ter, aparentemente, explodido o motor devido colisão com um bando de pássaros.
Ainda não se sabe muito, mas sabe-se que o avião tinha 154 passageiros, partia de La Guardia, em Nova Iorque, para a Carolina do Norte, e parece que todos os passageiros foram recolhidos sãos e salvos. Se assim for, num Janeiro gelado (estão sete graus negativos hoje) como está a acontecer neste momento, só posso dizer isto: "it's a miracle!!"
Mas espero uma ou duas horas para ver no que isto deu. Nao especulo mais do que isto.
O ano de 1968 já tinha chegado a meio, e o mundo andava em sobressalto. O Vietname era um atoleiro, Martin Luther King fora assassinado, e a campanha presidencial desse ano estava ao rubro, não tanto como o que se passa hoje. A campanha, apesar de ter todos os moldes que tem hoje, o momento decisivo não era em Março, mas sim em Junho, com as Primárias na California. E como depois da renuncia de Lyndon Johnson, era uma corrida aberta entre democratas, enquanto que no campo republicano, depois do fracasso que foi o extremista Barry Goldwalter, escolhiam um candidato mais consensual, o ex-vice presidente Richard Nixon, que fora derrotado por John F. Kennedy oito anos antes.
No caso democrata, três nomes sobressaiam: o vice-presidente de Johnson, Eugene McCarthy, o senador do Minessota, Humbert Humpfrey e o Senador por Nova Iorque Robert Fitzgerald Kennedy (RFK). Fizera campanha prometendo que assim que fosse persidente, iria trazer os soldados para casa. Anti-guerra, mais liberal que o seu irmão, também tinha experiências governaticva, como Secretário da Justiça, onde ficou mesmo depois da morte do seu irmão. Afastou-se do Governo para se candidatar a Senador por nova iorque, onde ganhou. E em Março de 1968, desafiando Johnson, anunciou a sua presidência.
A luta era renhida, e RFK perdeu alguns estados para Humpfrey, e tudo se jogava naquela solarenga tarde de Junho. E outro candidato estava na liça, e o natural favorito: o então vice-presidente, Eugene McCarthy. Antes da eleição, McCarthy estava na frente, mas uma vitória decisiva, numa contagem onde era "winner takes all", mesmo com um voto a mais, para Kennedy, significava que estava numa posição de força para a Convenção Democrata, em Chicago, marcada para Agosto. E nessa altura, as Convenções eram para valer, e não o "show-off" que estamos habituados a ver, pois nessa noite, Johnson dera ordens expressas a McCarthy e Humprey para que se juntassem, no sentido de derrotar RFK na corrida presidencial.
E na noite em que RFK faz o discurso de vitória e diz "agora vamos para Chicago", parecia que ele tinha o impulso para conseguir um milagre, que era a nomeação democrata, contra Nixon. Mas o destino foi cruel: um desiquilibrado de 21 anos de origem palestiniana, Shiran Shiran, aponta uma pistola à nuca de RFK e atinge-o mortalmente na cabeça. Resiste por um dia, mas morre na madrugada de terça-feira. O pais estava mais uma vez em choque.
Saltemos mais algumas semanas em 1968, para o dia 4 de Abril, uma sexta-feira. Em Memphis, no Tenessee, Martin Luther King, o proeminente líder dos Direitos Civis, e que cinco anos antes tinha feito o famoso discurso "I Have a Dream", era morto a tiro na varanda do motel onde se instalara, na cidade.
O atentado ocorrera à tarde, e já tinha sido feito uma emissão especial dirigida por um jovem Dan Rather (que sucedeu 15 anos depois a Cronkite na CBS Evening News) logo, houve mais do que tempo para fazer directos da cidade, e recolher elementos sobre as ondas de choque que estavam a acontecer na América nesse dia, cijas tensões raciais latejavam, ainda por cima, em ano de eleições presidenciais, onde a América, envolvida até à medula pelo atoleiro que era a Guerra do Vietnam, também combatia nas ruas contra este envolvimento numa guerra injusta (recorde-se, em 1968, o recrutamento era obrigatório nos Estados Unidos).
No final daquele dia, Walter Cronkite, no seu CBS Evening News, resumia os acontecimentos desse dia. De maneira sobria, mas decidida, e sobre o impacto que aquilo iria ter na sociedade americana. Entre as peças que se encontram neste video, está uma declaração do então presidente Lyndon Baines Johnson, e uma parte do seu famoso ultimo discurso, onde afirmou que "tinha chegado ao topo da montanha". Palavras proféticas...Naquele ano tempestuoso de 1968, este era mais um episódio turbulento. Outros iriam surgir, infelizmente...