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sexta-feira, 5 de junho de 2009

As últimas da "república do caju"

A Guiné-Bissau voltou a praticar esta madrugada o seu desporto favorito: o assassinato de politicos. Dois meses depois de matarem o presidente da républica, Nino Vieira, e o chefe do Estado Maior, General Tagme Na Waie, esta madrugada, um grupo de homens armados decidiram matar o ex-primeiro ministro Fausto Imbali, o ministro da Administração Territorial em funções e candidato presidencial, Baciro Dabó, e um antigo ministro da Defesa, Hélder Proença.




O Governo de Bissau acusa-os de envolvimento num golpe de estado, que estaria a decorrer na madrugada de hoje, aproveitando a ausência do primeiro-ministro, Carlos Gomes Junior, que se encontra em visita privada a Portugal.


Dabó, um antigo aliado de Nino Vieira, era também membro do partido histórico PAIGC, e apresentava-se como independente às eleições presidenciais, que estão marcadas para 28 de Junho. Desconhecem-se os pormenores desta agitação de hoje, mas existem eleições marcadas para o final do mês. Será que vão acontecer, com estas mortes? Pela lei guineense, o assassinato de um candidato obriga à remarcação delas...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX (parte IV)




O ano de 1968 já tinha chegado a meio, e o mundo andava em sobressalto. O Vietname era um atoleiro, Martin Luther King fora assassinado, e a campanha presidencial desse ano estava ao rubro, não tanto como o que se passa hoje. A campanha, apesar de ter todos os moldes que tem hoje, o momento decisivo não era em Março, mas sim em Junho, com as Primárias na California. E como depois da renuncia de Lyndon Johnson, era uma corrida aberta entre democratas, enquanto que no campo republicano, depois do fracasso que foi o extremista Barry Goldwalter, escolhiam um candidato mais consensual, o ex-vice presidente Richard Nixon, que fora derrotado por John F. Kennedy oito anos antes.



No caso democrata, três nomes sobressaiam: o vice-presidente de Johnson, Eugene McCarthy, o senador do Minessota, Humbert Humpfrey e o Senador por Nova Iorque Robert Fitzgerald Kennedy (RFK). Fizera campanha prometendo que assim que fosse persidente, iria trazer os soldados para casa. Anti-guerra, mais liberal que o seu irmão, também tinha experiências governaticva, como Secretário da Justiça, onde ficou mesmo depois da morte do seu irmão. Afastou-se do Governo para se candidatar a Senador por nova iorque, onde ganhou. E em Março de 1968, desafiando Johnson, anunciou a sua presidência.



A luta era renhida, e RFK perdeu alguns estados para Humpfrey, e tudo se jogava naquela solarenga tarde de Junho. E outro candidato estava na liça, e o natural favorito: o então vice-presidente, Eugene McCarthy. Antes da eleição, McCarthy estava na frente, mas uma vitória decisiva, numa contagem onde era "winner takes all", mesmo com um voto a mais, para Kennedy, significava que estava numa posição de força para a Convenção Democrata, em Chicago, marcada para Agosto. E nessa altura, as Convenções eram para valer, e não o "show-off" que estamos habituados a ver, pois nessa noite, Johnson dera ordens expressas a McCarthy e Humprey para que se juntassem, no sentido de derrotar RFK na corrida presidencial.


E na noite em que RFK faz o discurso de vitória e diz "agora vamos para Chicago", parecia que ele tinha o impulso para conseguir um milagre, que era a nomeação democrata, contra Nixon. Mas o destino foi cruel: um desiquilibrado de 21 anos de origem palestiniana, Shiran Shiran, aponta uma pistola à nuca de RFK e atinge-o mortalmente na cabeça. Resiste por um dia, mas morre na madrugada de terça-feira. O pais estava mais uma vez em choque.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX ( Parte III)





Saltemos mais algumas semanas em 1968, para o dia 4 de Abril, uma sexta-feira. Em Memphis, no Tenessee, Martin Luther King, o proeminente líder dos Direitos Civis, e que cinco anos antes tinha feito o famoso discurso "I Have a Dream", era morto a tiro na varanda do motel onde se instalara, na cidade.


O atentado ocorrera à tarde, e já tinha sido feito uma emissão especial dirigida por um jovem Dan Rather (que sucedeu 15 anos depois a Cronkite na CBS Evening News) logo, houve mais do que tempo para fazer directos da cidade, e recolher elementos sobre as ondas de choque que estavam a acontecer na América nesse dia, cijas tensões raciais latejavam, ainda por cima, em ano de eleições presidenciais, onde a América, envolvida até à medula pelo atoleiro que era a Guerra do Vietnam, também combatia nas ruas contra este envolvimento numa guerra injusta (recorde-se, em 1968, o recrutamento era obrigatório nos Estados Unidos).


No final daquele dia, Walter Cronkite, no seu CBS Evening News, resumia os acontecimentos desse dia. De maneira sobria, mas decidida, e sobre o impacto que aquilo iria ter na sociedade americana. Entre as peças que se encontram neste video, está uma declaração do então presidente Lyndon Baines Johnson, e uma parte do seu famoso ultimo discurso, onde afirmou que "tinha chegado ao topo da montanha". Palavras proféticas... Naquele ano tempestuoso de 1968, este era mais um episódio turbulento. Outros iriam surgir, infelizmente...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX (parte I)




À falta de motivos para sair neste Sábado à noite (a não ser que queiram apanhar um frio glacial e uma monumental constipação), achei melhor falar sobre algo interessante referente à minha formação jornalistica, e que foi considerado como "o homem mais confiável da América": Walter Cronkite (n.1916)


Cronkite foi jornalista de profissão durante anos, cobriu batalhas na II Guerra Mundial, e entrou para a televisão, ainda esta era um meio novo. Fora recrutado por uma lenda da rádio, Edward P. Murrow, em 1950, para fazer parte da CBS, estação da qual só saiu 31 anos depois, com o seu nome cravado na história da televisão americana. O termo "âncora" (anchorman no original), foi cunhado em 1952, quando Cronkite era o apresentador das Convenções Democrata e Republicana, que ocorreram nesse Verão. Dez anos depois, em 1962, substituiu Douglas Edwards (1917-1990) como o apresentador do CBS Evening News, e ficou por lá nos dezanove anos seguintes.


Ao longo destes capitulos, vou colocar aqui videos que retratam a história da América (e do Mundo) num período conturbado como foram os anos 60 e 70 do século XX. Todos esses videos têm Cronkite no centro da acção, e demonstram como durante os seus dezanove anos como âncora do "CBS Evening News", passou de um lugar secundário, uma mera sombra do então noticiário mais visto na América, o "The Huntley-Brinkley Report", para fazer da CBS o canal mais visto da América no inicio da década de 80.


E o primeiro video que coloco aqui não é um qualquer: é um pedaço do directo que foi feito na sexta-feira, 22 de Novembro de 1963, dia em que Lee Harvey Oswald disparou a sua espingarda de mira telescópica contra o Lincoln Continental descapotável onde seguia John F. Kennedy, acertando-o por duas vezes, uma delas na cabeça, causando-lhe morte imediata. Uma nação em choque segue colada à televisão às angustiantes noticias vinda da cidade texana de Dallas, numa altura em que não havia CNN, directos sobre directos do local X ou Y, helicópteros a sobrevoar...