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domingo, 25 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX (parte VII)




A 22 de Janeiro de 1973, a noticia tinha brotado inesperadamente: em Paris, Os Estados Unidos, o Vietname do Norte e o Vietname do Sul tinha finalmente chegado a um acordo de paz, do qual ficou para a História como o "Tratado de Paris". Henry Kissinger, o enviado especial do presidente Nixon, tinha chegado a um acordo com Le Duc Tho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Vietname do Norte, que visava o cessar dos combates e a retirada das tropas americanas da região. Após quase 30 anos de guerra, a paz, aparentemente, tinha chegado a aquele país do Sudeste Asiático.



Mais tarde, Kissinger e Tho seriam galardoados em conjunto com o Nobel da Paz desse ano, mas o ministro vietnamita recusou o prémio, pois nessa altura, o acordo tinha chegado ao ponto de "letra morta", pois os combates continuavam. Dois anos depois, a 29 de Abril de 1975, os norte-vietnamitas tomavam Saigão, terminando oficialmente a guerra, e a reunificação do Vietname, sob um regime de inspiração marxista.



Mas na CBS, no final de uma das peças referentes ao Acordo, vê-se Walter Cronkite ao telefone, com um dedo espetado, dando sinal de espera. Estava a receber a chamada de Tom Johnson, o adido de imprensa do ex-presidente Lyndon Johnson, informando que o antecessor de Nixon tinha acabado de falecer no seu rancho do Texas, vítima de ataque cardíaco. Johnson, então com 64 anos, sofria do coração há já vários anos, e semanas antes tinha sofrido outro ataque. Cronkite era o primeiro a saber, antes da concorrência, por um canal priveligiado. Era mais um sinal de que era de facto o melhor da sua profissão, e a CBS fora a primeira cadeia de TV a informar a morte do Presidente Johnson.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Walter Cronkite e o jornalismo americano do século XX (Parte VI)




O ano de 1972 era de eleições. Richard Nixon procurava a reeleição, para ser o homem que ficaria à frente dos destinos da Nação no ano do Bicentenário. O Nixon público era completamente diferente do Nixon privado, obcessivo com tudo e com todos, trapaceiro, paranoico, oportunista, e que não olhava a meios para chegar a fins.



De Junho a Outubro, pouco se ligou ao escândalo, pelo menos fora de Washington e do "Washington Post" (Carl Bernstein e Bob Woodward estavam na secção da cidade, um departamento mais secundário). Era ano de eleições, e Nixon ia a caminho de uma assegurada reeleição, contra um candidado democrata, George McGovern, demasiado fraco, com uma agenda demasiado radical, logo, impotente para conter a "maré vermelha". Mas poucos dias antes da reeleição, a 27 de Outubro de 1972, Walter Cronkite apresentava uma matéria especial de 14 minutos (longo, muito longo para televisão) sobre o Caso Watergate, e demonstrava ao país a profundidade que este simples assalto à sede do Partido Democrata tinha. E ia, depois viu-se, até ao topo.







Se hoje em dia se louva Bob Woodward e Carl Bernstein pelo seu trabalho no deslindar do escândalo, e se refere Mark Felt (1913-2008) como a sua maior fonte (o famoso "Garganta Funda"), não se pode esquecer que Walter Cronkite também deu um empurrãozinho na divulgação, via TV nacional, do escândalo mais famoso da segunda metade do século XX.