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segunda-feira, 4 de maio de 2009

The End: Vasco Ganja (1925-2009)




Cada um tem as suas recordações de infância. Uma das minhas, naquelas tardes algures em meados da década de 80, era de ver os desenhos animados apresentados pelo Vasco Granja, um senhor muito simpáticos, de óculos fundo de garrafa, e que fazia explicações aborrecidas sobre os filmes que íamos ver, muitas das vezes inexplicáveis para a mente de uma criança como a minha. Mas na minha ingenuidade de então, desconhecia que estava a ver autênticas obras-primas do cinema de animação, de pessoal como Tex Avery ou Norman McLaren, para além dos intraduzíveis desenhos animados vindos da então Cortina de Ferro, como a Polónia ou a Checoslováquia.


Mas no final, colocava um desenho dos Looney Toons, para entreter os mais novos, consciente, talvez, que nem todos os que viam o seu programa entendiam o que falavam ou o que mostrava. Mas também não seria um daqueles inocentes. Quem conhece esses desenhos animados, sabe que o sarcasmo é norma…


Vasco Granja, o homem que mais fez pela divulgação da banda desenhada em Portugal, morreu esta madrugada, em Cascais, aos 84 anos.


Na sua elegia que li esta tarde no jornal “Público”, desconhecia que o termo “banda desenhada” tinha sido cunhada por ele, num artigo do Diário Popular de 1966. Uma expressão feliz, que creio que vai ser a mais duradoira. Mas há mais, muito mais. Nascido a 10 de Julho de 1925, não frequentou qualquer universidade, trabalhou sempre, primeiro nos Armazéns do Chiado, passando pela Tabacaria Travassos e acabando na Livraria Bertrand até à reforma, em 1990. Era ligado ao Partido Comunista Português, e por causa disso, foi preso por duas vezes durante o Estado Novo, primeiro em 1954 e depois em 1963.


Sendo sempre um homem de letras, descobre o cinema de animação em 1958, quando começa a ver os filmes experimentais do canadiano Norman McLaren. Dez anos depois, colabora na versão portuguesa da revista “Spirou”, e em 1978, ajuda a fundar a primeira livraria especializada em Portugal, “O Mundo da Banda Desenhada”.


Por essa altura, Vasco Granja já tinha o seu programa na RTP. Começou em 1974, pouco depois do 25 de Abril, e durou até 1990, altura em que se reformou. Teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género, influenciando toda uma geração de jovens e crianças, sendo o grande divulgador da Banda Desenhada em Portugal. Para mim, que fiz parte dessa geração que cresceu com Vasco Granja, este deve ter sido o seu maior legado. Ars lunga, vita brevis.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Contado, ninguém acredita!

Esta mandaram-me hoje via mail. Deve ter uns bons 20 anos, pelo aspecto da fotografia. Mas isto é absolutamente incrivel! O Jorge Nuno a segurar uma bandeira do Glorioso... Fantástico, hein?




Mas a explicação é bem mais simples. isso deve ter sido tirado no inicio da década de 80, eventualmente quando o fernando Martins era o presidente do Benfica. Para quem não sabe, ele é o homem que fechou o Terceiro Anel do antigo Estádio da Luz. E ele sempre foi um grande admirador do Martins, porque ele é portista dos sete costados, ora!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O futuro... há 28 anos atrás





As pessoas sabem que a Internet é um fenómeno que "explodiu" em meados dos anos 90 para o público em geral. Lembro-me de falar sobre isso em 1993, mas a explosão aconteceu no ano seguinte. E a Web 2.0, do qual o Blogger é um deles, só começou a ester disponivel no final do século (o primeiro blog é de 1999, creio eu).




Mas foi engraçado descobrir isto: uma peça de TV sobre as edições electrónicas dos jornais. Nada de novo, pois todos têm. Mas esta peça, da estação local KRON, de Sâo Francisco, foi feita em... 1981. O futuro já estava a ser anunciado, mas poucos ligaram...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pride (Orgulho)




Desde pequeno que sempre gostei da canção. Anos depois soube que significava uma homenagem a Martin Luther King (e ainda por cima, hoje é feriado a honrar a sua memória). Amanhã, Barack Obama vai tomar posse como o 44º Presidente dos Estados Unidos, e terá uma longa tarefa pela frente. Desejo-lhe toda a sorte do mundo. E de uma certa forma, ele está a cumprir o sonho de King, quarenta anos depois de o terem matado. E o melhor sinal de que o sonho dele vive!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A verdadeira decadência de uma estrela do passado

Quando vemos, dia sim, dia não, as desventuras de Amy Winehouse ou Pete Doherty com as drogas, o alcool e outras coisas mais, perguntamos a nós mesmos onde é que eles irão parar. Muitos duvidam, com alguma razão, que eles cheguem aos 30 anos, e estejam num cemitério qualquer de Londres (se é que não serão cremados...) numa campa cheia de flores de fãs desconsolados. Mas pode não ser bem assim. Podem acabar como o Boy George.

Lembram-se dele? O vocalista dos Culture Club, que em 1982/84 cantava musicas como "Karma Chameleon" ou "Do You Wanna Hurt Me?", e que depois de os abandonar, caiu numa esperial de drogas e orgias com rapazes? Pois bem, hoje saiu a noticia de que foi condenado a 15 meses de prisão, num tribunal de Londres, por ter sequestrado um seu companheiro em Abril de 2007, o norueguês Audun Carlsen, então com 27 anos.


Carlsen, que afirmou ter sido algemado e espancado, com a ajuda de um cumplice, durante algum tempo. Como George O'Dowd (o seu verdadeiro nome) já tinha cumprido uma sentença comunitária em 2006 por posse de cocaina, o tribunal achou por bem aplicar a uma pena pesada. O advogado de defesa disse que não ia apelar do veredicto. E vai caindo cada vez mais, mais, mais... parece que só se acalma quando morrer. Há alguns que querem isso.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uma historieta de Jogos Olimpicos

Estamos em 1980. Os Jogos Olimpicos de Moscovo estão a decorrer, com o boicote generalizado dos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos. As arenas desportivas tinham virado mais um palco da Guerra Fria...

Indiferentes a isso, os atletas competiam nas provas com, claro, os países do Bloco do Leste a levar a esmagadora maioria das medalhas. Uma das provas em que se sabia que tal iria acontecer era no concurso do salto em altura. Aqui havia uma competição entre a União Soviética e a Polónia. Os russos assobiavam Władysław Kozakiewicz, pois apoiavam o homem da casa, Konstantin Volkov. Enraivecido, salta 5.75 metros, e ganha o concurso, mesmo nas barbas dos russos.

Ainda mais confiante, decide saltar 5.78 metros, e caso passasse, seria recorde do mundo. Pegou na vara, correu, colocou-a no local exacto... e passou. Excitado, decide retribuir o gesto ao público que o tinha "apoiado". Na Polónia ele foi aplaudido, e o seu gesto foi simbolizado como um sinal de resistência ao então regime. Enraivecido, o embaixador soviético exigiu que fosse retirada a medalha a Kozakiewicz, mas o governo respondeu que o gesto tinha acontecido devido a um "espasmo"...

Uma coisa é certa: a foto correu mundo e foi considerado como uma das mais simbólicas daqueles Jogos. Kozakiewicz desertou para a Alemanha quatro anos mais tarde, onde encerrou a sua carreira, e hoje em dia é considerado como um herói nacional.