quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Fui desafiado, logo...

Aceito!

A querida Djinn desafiou-me acerca das oito coisas que gostaria de fazer antes de esticar o pernil. O meu problema nem é tanto a falta, mas sim o excesso, pois há muita coisa que gostaria de experimentar, não é? E se o senhor lá de cima concedeu-me uma longa vida (acreditem, sei o que digo!), é para ver se as concretizo, certo?

1 - Viajar para Bora Bora e às Seychelles.
2 - Escrever mais do que um livro.
3 - Assistir a uns Jogos Olimpicos ao vivo. Já sabem onde me procurar em 2012!
4 - Assistir às 24 Horas de Le Mans e às 500 Milhas de Indianápolis.
5 - Arranjar uma casa de praia num paraíso tropical qualquer e lá viver a minha velhice. E não é no Brasil!
6 - Guiar um Formula 1, dos verdadeiros.
7 - Fazer o Plymouth-Banjul, o mais louco dos ralis, a bordo de um Renault 4.
8 - Ser o proprietário de um Porsche 911 dos antigos.


E agora, a quem vou passar o desafio? Boa...
Maryposa
Groo
Sancho Pensa
Confidente
Dois em Mim
Priscilla
Pezzolo
Dispenso
Nem todos vão responder, mas... who cares?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Que chatice...

Parece que houve esta manhã um golpe de estado na Mauritania. Mais um num estado africano qualquer...
Claro, a União Europeia e a União Africana já condenaram o golpe, como seria de esperar. Afinal, correram com um chefe de Estado democraticamente eleito (o primeiro em quase 50 anos de história daquele estado) e que nos últimos tempos, ele andava a abusar do poder naquelas bandas. Primeiro, foram 44 deputados que se demitiram do seu partido, ameaçando formar outro, e depois demitiu o chefe do Exército e o seu adjunto. O que fizeram? Ora, o costume nesse tipo de países: um golpe de estado.
Para já, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, o primeiro Presidente democraticamente eleito desse país, foi detido e levado para local desconhecido, enquanto o primeiro-ministro, também ele capturado pelos militares, foi levado para uma caserna perto do edifício da presidência. Apesar da situação estar calma, a radio e TV locais deixaram de emitir, e o aeroporto foi encerrado.
Africa, Mãe Africa. Será que nunca conseguirás ser "normal"?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uma historieta de Jogos Olimpicos

Estamos em 1980. Os Jogos Olimpicos de Moscovo estão a decorrer, com o boicote generalizado dos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos. As arenas desportivas tinham virado mais um palco da Guerra Fria...

Indiferentes a isso, os atletas competiam nas provas com, claro, os países do Bloco do Leste a levar a esmagadora maioria das medalhas. Uma das provas em que se sabia que tal iria acontecer era no concurso do salto em altura. Aqui havia uma competição entre a União Soviética e a Polónia. Os russos assobiavam Władysław Kozakiewicz, pois apoiavam o homem da casa, Konstantin Volkov. Enraivecido, salta 5.75 metros, e ganha o concurso, mesmo nas barbas dos russos.

Ainda mais confiante, decide saltar 5.78 metros, e caso passasse, seria recorde do mundo. Pegou na vara, correu, colocou-a no local exacto... e passou. Excitado, decide retribuir o gesto ao público que o tinha "apoiado". Na Polónia ele foi aplaudido, e o seu gesto foi simbolizado como um sinal de resistência ao então regime. Enraivecido, o embaixador soviético exigiu que fosse retirada a medalha a Kozakiewicz, mas o governo respondeu que o gesto tinha acontecido devido a um "espasmo"...

Uma coisa é certa: a foto correu mundo e foi considerado como uma das mais simbólicas daqueles Jogos. Kozakiewicz desertou para a Alemanha quatro anos mais tarde, onde encerrou a sua carreira, e hoje em dia é considerado como um herói nacional.

O meu momento cómico do dia

Ontem à noite, enquanto escrevia uma matéria para o outro blog, dei por mim a navegar noutros blogs, e calhou num onde mostrava um clip de onze minutos de um filme porno "made in Portugal". Como é obvio, todos os filmes porno tem o mesmo tipo de enredo, mas como nunca tinha visto nenhum feito neste rectângulo à beira-mar plantado (sim, confesso: nunca vi "Fim de Semana Lusitano"...)
O título era "Xana, a empresária", acho eu. E quando via aquilo, não deixava de me rir com aquilo, de tão amador que aquilo era. Não se pode pedir a esses tipos que sejam profissionais como nos "States" ou até na vizinha Espanha, mas aquilo... era cómico. Mostrar as luzes de projecção, o "camaraman" não conseguia fazer os "close-ups" devidos numa situação de "a três", e no final, o mais ridículo: fazer um close-up a uma "t-shirt" pendurada no tecto a dizer "Platina Filmes" no momento em que um dos rapazinhos se vinha na boca ou na cara da "Xana".
Digo-vos isto: daqui a 30 ou 40 anos, os sucessores dos Gatos Fedorentos (ou até os próprios, se virarem uns velhos jarretas insuportáveis...) farão destes filmes pornos quase caseiros uma verdadeira mina de Tesourinhos Deprimentes...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Uma frase deste dia de Verão

"Portugal, como sempre, anda distraído com as aquisições dos clubes de futebol. Porque o ponta de lança tarda, porque a equipa não arrasa, como se esperaria que se arrase. O país ainda não repara nos Jogos Olimpicos. Não espera por isso nada de especial. Apenas tropeçará neles quando entrarem pela casa num ecrã de TV. Não é um país injusto, é um país distraído e inculto. Às vezes, por aquilo que se vê, ainda incivilizado."

Vitor Serpa, director do jornal "A Bola", 4.8.2008.

Ouvir isto da boca do director de um jornal desportivo é mais uma elucidação do país que somos. Quem fala assim não é gago...

Na minha opinião, acho que dos três que temos, "A Bola" deve ser o jornal mais culto e mais eclético. E também acho que a menos de quatro dias da abertura de mais uma Olimpiada, desta vez em Pequim, estes podem ser uns jogos inesquecéveis para nós. Pode ser que nos esquecemos, por momentos, da futebolada e da "silly season"...

Abel e Natália - O terceiro dia, parte 2

(continuação do capitulo anterior)

Pouco tempo depois, Abel e Natália estavam a caminho do centro da cidade no Mini vermelho dele, procurando por uma loja aberta. Ele vira-se e pergunta.

- Sinceramente, o que achaste dela?
- Muito estranha. A história dela, o pedido dela… tudo muito estranho.
- Ainda acho que esconde alguma coisa.
- Também acho. Acho que essa “cola” ao Javi não é inocente.
- Não, não vou por aí… acho que foi coincidência.
- Mas por outro lado… ela não quer fazer mal. Se nos quisesse, já teria feito.
- Cá para mim, acho que é uma coleccionadora.
- De quê?
- Quecas, disse, soltando uma gargalhada.
- Hmmm… obsessiva não é, caso contrário, não nos largaria. Acho cá para mim, ela quer é divertir-se, como se não houvesse amanhã?
- Não sei te responder, garota. Combinaram alguma coisa?
- Até caso em contrário, só nos vemos amanhã, no aeroporto.
- Ah pois, amanhã vais… disse, baixando subitamente o tom de voz.


Natália passa a mão pela perna de Abel e diz:

- Prometo voltar, ouviste? Quero ficar contigo para sempre.
- Espero que o teu desejo seja cumprido
, afirmou não sem uma ponta de tristeza. Volta logo!

Pouco depois, Ambos chegaram ao estacionamento de um centro comercial, e subiram no elevador que os levava para o piso térreo. Lá, um grande átrio os levava para uma série de lojas de todos os tipos, desde os de roupa até aos de electrodomésticos, passando por uma livraria, uma loja de telemóveis, uma loja de bijuteria e lojas de sapatos. No andar de cima estavam as cadeias de “fast-food”, desde hamburguers até pizzas, passando por uma de comida indiana e outra de comida mexicana. Como era quase meio-dia, combinaram ir para lá depois das provas de roupa.

Ao longo do tempo, cada um para o seu lado, Abel andou a ver um ou outro calção de banho, e uns óculos de sol, enquanto que Natália provava os bikinis que via na secção de senhora. Após meia hora, Abel foi ter com Natália, que trazia, em cada mão, dois conjuntos, que variavam entre um vermelho, um multicolor, um preto e um verde limão. O que se notava era a reduzida área de cobertura, suspeitando até que eles todos fossem de fio dental. Mas depois iria ver com mais calma…

O vestiário das mulheres normalmente era concorrido, mas naquele Domingo à hora do almoço estava mais vazio do que o habitual. Abel esperava lá fora, não se atrevendo a entrar lá dentro, pois não queria ser apanhado por algum funcionário da loja. Quando a viu com o bikini verde limão, ficou deslumbrado com o resultado, e foi ter com ela. Contudo, ela virou-se e disse:

- Achas que a devo levar?
- Acho que sim, porquê?
- Ahhh… gostei do multicolor.
- E é fio dental, como este?
- São todos.
- E têm o nó aí na cintura?
- Agora tem todos.
- Ah… eu nestas coisas sou um pouco Neandertal.
- Ah, ah, ah!
- Mas estás gira… e não vais levar esses sapatos para a praia, pois não?


Natália ainda tinha os sapatos de agulha calçados. Ela responde:

- Claro que não. Compro umas… como se diz?
- Havaianas. É um termo importado do Brasil. E compra também uns “shorts”, que pelos vistos, não estais preparada para a praia.
- Huhhh… pois não.
- A t-shirt pode ficar. Mas devolves-me no final do dia.


Ela provou os fatos de banho que pode, mais os “shorts” e as havaianas. Demorou quase uma hora, algo que Abel tinha demorado quase 20 minutos, e ele tinha ido comprar umas bermudas com camuflado de tropa e umas havaianas, para além de uns óculos de sol. Antes de pagar, na caixa registadora, ela ainda teve tempo para experimentar e comprar também uns óculos de sol. Nessa incursão pelas compras, não devem ter gasto mais de 250 Euros, que apesar de ser muito, não seria possível noutros lados…

Depois de um almoço rápido, ambos pensaram em ir a casa, mas ele decidiu que o melhor seria cada um ir a uma casa de banho pública, para trocar de roupa. Como cada um tinha um saco, até seria rápido e poupava uma viagem a casa, já que Abel tinha no carro o saco com as toalhas e o protector solar, bem como uma garrafa de água de litro e meio.

Abel entrou na casa de banho dos homens, que ficava no final de um corredor estreito no mesmo andar dos restaurantes e bares, e não viu ninguém. Foi direito a um compartimento, e fechou a porta. Lá, tirou as calças e colocou as bermudas de camuflado. Depois, tirou os ténis e as meias, e calçou as havaianas, ficando contente por as colocar, pois até era uma mudança nos hábitos diários, e também, o calor a isso obrigava… Quando se preparava para sair, ouviu uma porta a abrir-se no seu lado esquerdo. Quando ela se fechou, começou a ouvir barulho de lábios a beijarem-se. Ficou espantado, mas curioso, e não fez um único barulho, porque queria ouvir o que se iria passar nos momentos a seguir. Os segundos passavam-se, mas pareciam eternidades, Dos beijos, passou a ouvir um ou outro gemido. Logo a seguir, ouviu baixinho a seguinte frase:

- Agora, chupa o meu caralho.

Abel ficou ali, imóvel, sem fazer barulho. Pensava se deveria sair dali, ou então se espreitava por um momento, para satisfazer a curiosidade, ver quem eram e o que se passava. Entretanto, o ruído de algo dentro da boca, ouvia-se quase em surdina, mas poderia ouvir-se, caso tivesse uma audição apurada. Devagarinho, tirou os chinelos e subiu, numa lentidão quase exasperante, para poder olhar, de nesga, o que se passava. Mas quando se preparava para subir, decidiu tirar o pé da tampa, e abaixar-se para ver os pés, no sentido de ter uma ideia do que se passava. Entretanto, a voz masculina dizia mais uma vez, numa voz baixinha:

- Ah, és tão bom. Queres que to enfie?

No momento em que o dizia, Abel olhou para baixo, e notou que ambos calçavam pares de ténis. Não queria dizer nada, mas tudo era possível. Mas a seguir, ouviu outra voz a dizer:

- Não, quero que agora chupes o meu caralho.

Abel tentou conter o riso. Eram dois homens a ter sexo oral numa casa de banho pública. Por aquilo que calçavam, deviam estar na casa dos 20, 30 anos. Depois de passar o momento de riso, decidiu que era altura de sair dali, pois ver dois homens não era do interesse dele. Calçou as havaianas, saiu dali pé ante pé, tentando respirar devagarinho, para não estragar aquilo que eles faziam, e quando transpôs porta fora, não resistiu a dar um sopro de alívio. Natália esperava fora.

- Então, que passa?
- Demorei um pouco.
- Porquê?
- Olha… por tudo.
- Como assim, por tudo?
- Daqui a uns minutos, explico-te. Anda, vamos para fora.

Foram para fora dali, e quando saíram do corredor, foram para um átrio onde ele poderia ver razoavelmente bem quem sairia ou entraria dali. Naquele corredor, tinham duas hipóteses: ou iam para o átrio, ou iam para os elevadores, que ficavam do outro lado. Abel virou para ela e disse:

- Fica aqui que quero ver quem eram os meninos.
- Quem eram o quê?
- Eu explico. Apanhei dois homens a fazer broches um ao outro.


Natália riu-se abertamente, à gargalhada.

- A sério? O sexo não te larga, cariño. Ou somos nós, ou são eles. Ou elas…
- Engraçado… agora espera um pouco, porque tenho curiosidade para saber quem são.
- Não devem ser nada de especial, vamos, disse Natália, que agarrou a mão dele e começou a andar para fora dali. Mas Abel segurou-a, afirmando:
- Dá mais um minuto, que eles devem sair de lá.


Ela já começava a ficar um pouco aborrecida.

- Ouve, não há nada de especial nisso. Apenas são dois homens a amar-se.
- Numa casa de banho pública? Nem eu nem tu faríamos uma coisa dessas…
- Tu podes responder por ti, agora eu não…
- Tá bem, mas tenho curiosidade.
- Ai ai. Vocês são um pouco estranhos…
- Não é estranheza. Apenas uma situação no qual fui apanhado.


De repente, a porta abriu-se, vendo dois homens a sair, um atrás do outro, ambos com um porte impressionante, de segurança. Um era mestiço, o outro mais claro. Abel espreitou o corredor, mas não se atreveu muito, para não dar nas vistas, e viu-os dirigirem-se para o elevador. Enquanto eles esperavam, reparou que um deles estendeu a mão ao bolso de trás das calças dele, e enfiou a mão. Ela viu e disse:

- Estes devem assumir mais ou menos.
- Se calhar não são de cá.
- Não, que eu os ouvi falar em português. Mas porquê fizeram ali?
- Não tinham muito tempo, se calhar…
- Queres fazê-lo ali?
- Ah, ah, ah… o que quero agora é sol e praia, afirmou Abel.
- Acho que sim, merecemos um dia de descanso.
- Mas no final do dia, tu não escapas, ouviste, afirmou, enquanto se aproximava para lhe dar mais um beijo longo nos lábios.

(continua amanhã)

domingo, 3 de agosto de 2008

O "PJ" volta, mas...

Os administradores do Primeiro de Janeiro anunciaram que irão voltar amanhã, de cara lavada, mas provavelmente com o formato de gratuito. Contudo, o assunto que interessa, ou seja, a reintegração dos jornalistas despedidos, eles nada adiantam, mas o mais provavel é que eles não os vão reintegrar.

E mais: o que se fala é que vão usar estagiários para fazer funcionar o jornal. Como os estagiários trabalham de graça, só para colocar no currículo, façam as contas, não é?

Era como alguém dizia hoje: se tivessemos de votar para voltarmos aos tempos da escravatura, haveria quem o fizesse alegremente...

Acerca do livro "O Segredo"...

"O Segredo" deve ser o livro da berra, a par das outras obras de "literatura light" que estão por aí, que encaninha todos os tops das livrarias (já agora, não os levem a sério...) Para mim, aquele tipo de livro li-o há uns bons dez ou doze anos, quando tinha prá aí vinte anos. Era engraçado de ler, mas não alterou a minha vida por ali além...

Mas a razão pelo qual eu trouxe para aqui o assunto desse livro, foi o post que o meu conterrâneo do Rapador escreveu acerca do dito cujo. Sei que a sua escrita é de um humor perfeitamente ácido e sarcástico, para não dizer cruel. Eis um excerto desse post:


O que é O Segredo?

O Segredo é um livro de auto-ajuda que leva o leitor a atingir os seus sonhos. A própria contra-capa do livro (sim, tenho-o aqui comigo, mas ninguém sabe de onde ele apareceu) diz que: "«À medida que descobrir O Segredo, ficará a saber como pode ter, ser, ou fazer tudo aquilo que deseja. Descobrirá a verdadeira magnificência do que o espera na vida.»"

Diz ainda que: "O Segredo, antigo de séculos, foi compreendido por algumas das pessoas mais importantes da história: Platão, Galileu, Beethoven, Edison, Einstein, bem como outros inventores, teólogos, cientistas e grandes pensadores."

No site da FNAC diz-se que o livro já vendeu mais de 3,5 milhões de cópias só nos Estados Unidos e, se em Portugal está nos tops de vendas, é sinal que já vendeu uns bons milhares por cá.

Com tanta gente a ficar a saber d'O Segredo, há questões que se impõem e me fazem uma certa comichão cerebral:

Não deviamos ter agora pelo menos 3,5 milhões de génios nos Estados Unidos e mais uns milhares em Portugal? Onde é que andam os novos milionários? Onde é que anda o novo cientista que descobriu a cura para a SIDA? Onde anda o novo Beethoven? Onde está o inventor da energia limpa e barata? (...)

Eu não digo que o livro seja uma patacoada, nem digo que isso não ajude aqueles que não tem problemas de auto-estima. Mas para um sujeito como eu, essa coisa não me aquece nem me arrefece...

sábado, 2 de agosto de 2008

Petites Nouvelles de Beijing...

Pois é... falta menos de uma semana para começar os Jogos olimpicos de Pequim, e soube ontem quem vai ser o nosso porta-estandarte: o saltador Nelson Évora. Acho que até é bom augurio, pois ele é uma das nossas melhores chances de vitória. Há doze anos atrás, demos o estandarte à Fernanda Ribeiro, e ela ganhou a medalha de ouro, batendo uma chinoca!


Outra coisa interessante: depois dos jornalistas acreditados na capital chinesa terem-se queixado ao COI (Comité olimpicos Internacional) de que o acesso aos sites incómodos ainda estava barrado, apesar das promessas em contrário, o governo chinês lá acedeu e dedidiu levantar as restrições. Agora, a minha dúvida é esta: é só no Media Center, em Pequim ou na China inteira? Temos tecnologia para tudo isso, sabiam?




Para finalizar: Angola vai levar a sua maior delegação de sempre: 30 atletas. É excelente, mas quando descobres que desses 30, só um é um atleta individual (João N'Tyamba, 40 anos, maratonista, e vai nos seus sextos Jogos!) e o resto são uma dupla de voleibol de praia, a equipa masculina de basquetbol (multiplos campeões de Africa) e a equipa feminina de andebol (idem aspas), só posso dizer que ainda falta muito para serem uma potência africana...

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

The End: O Primeiro de Janeiro (1868-2008)

Digam o que eles disserem, eu estou como a maioria: o jornal Primeiro de Janeiro, tal como conhecemos, morreu hoje.


A noticia tinha sido divulgada em alguns sitios durante a tarde, mas só foi confirmada esta noite. Coloco aqui alguns excertos do artigo sobre o assunto vindo do jornal Público:

A desconfiança pairava na redacção. Os jornalistas temiam o pior quando a directora de “O Primeiro de Janeiro”, Nassalete Miranda, hoje convocou uma reunião geral. “O jornal vai fechar”, comentava-se em surdina. Não foi bem isso. Miranda disse que o jornal seria suspenso durante o mês de Agosto, e que era preciso “tempo para a modernização”.

Os trinta trabalhadores seriam despedidos em bloco. Nenhum teria direito a receber uma indemnização. Accionar-se-ia o fundo de garantia salarial. Os que desejassem seriam contratados para a nova empresa, o novo jornal seria feito com uma equipa mais ou menos do mesmo tamanho. E a aposta continuaria “a ser no noticiário do Porto, da região Norte e da cultura”.

Sábado, “O Primeiro de Janeiro” já não sai. Nervosos, os trabalhadores arrumaram as suas coisas dentro de caixas. À porta, fumavam-se muitos cigarros, discutia-se muito o futuro. Há quem ali já trabalhe há 14 anos.

Ao mesmo tempo, na empresa que trata dos cadernos especiais e da publicidade do jornal, era apresentado um novo projecto que mantinha o título d’ “O Primeiro de Janeiro”. O periódico renasceria com novo grafismo e com um aumento de tiragem de 20 mil para 50 mil exemplares. Foi mesmo mostrado o novo cabeçalho, no qual se faz referência aos 140 anos do título e se inclui o slogan “ontem, hoje, amanhã”. A aparente contradição entre o despedimento em bloco da redacção e o anúncio do novo projecto leva alguns jornalistas a admitir que possa estar a ser preparada a conversão do Janeiro em gratuito.

Já agora, coloco aqui um testemunho pessoal: no ano passado, estive por um triz para entrar lá. Respondi a um anuncio, sem saber muito bem ao que era, e fui parar a uma zona industrial, no caminho do Aeroporto Sá Carneiro, longe como tudo na zonda do Porto. Ao lado, tinha um motel e um bairro popular. A ideria era trabalhar nos suplementos do jornal. Suplementos institucionais, com um salário de 500 euros mensais. Depois de ver os prós e os contras, recusei a oferta, pois sabia que no final do mês ainda teria que pedir dinheiro para sustentar os transportes, por exemplo... isto, se não arranjasse casa por perto, provavelmente com uma renda aberrante!

No final, tenho pena dos que lá estavam. E tenho pena que mais um título histórico se extinga. Mas também, há anos que se definhava... e há muitos jornais assim. De memória lembro dois semanários: O Diabo e O Semanário. Quem os sustenta?

E digo mais: tal como isto está, o jornalismo escrito vai-se reduzir, qualquer dia, a dois ou três jornais diários nacionais, sustentados em grupos, e uma míriade de gratuitos... hoje em dia, tirando os desportivos e os económicos, parece que não vale a pena sustentar um projecto jornalistico independente...