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sábado, 24 de janeiro de 2009

Eis um escândalo que ganha fôlego...

Confesso que não entendo muito bem esta coisa do Freeport. O Telejornal da SIC está no ar há 42 minutos e o unico assunto que vi até agora é o tal projecto que foi aprovado "às cavalitas".

Que o poder corrompe, é certo. Que o Sócrates pode ter aqui o bedelho na coisa, aparentemente sim. Mas, já que as TV's andam atrás do tio do Sócrates, a fazerem directos da casa do homem, ainda não se lembraram de ir à casa do Mr. Charles Smith? Daqui a Londres é um pulo de duas ou três horas...

Enfim, acho que isto não vai acabar em nada. Dizendo melhor: se tudo for provado, põem o Sócrates na prisão e demolem o Freeport?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A verdadeira decadência de uma estrela do passado

Quando vemos, dia sim, dia não, as desventuras de Amy Winehouse ou Pete Doherty com as drogas, o alcool e outras coisas mais, perguntamos a nós mesmos onde é que eles irão parar. Muitos duvidam, com alguma razão, que eles cheguem aos 30 anos, e estejam num cemitério qualquer de Londres (se é que não serão cremados...) numa campa cheia de flores de fãs desconsolados. Mas pode não ser bem assim. Podem acabar como o Boy George.

Lembram-se dele? O vocalista dos Culture Club, que em 1982/84 cantava musicas como "Karma Chameleon" ou "Do You Wanna Hurt Me?", e que depois de os abandonar, caiu numa esperial de drogas e orgias com rapazes? Pois bem, hoje saiu a noticia de que foi condenado a 15 meses de prisão, num tribunal de Londres, por ter sequestrado um seu companheiro em Abril de 2007, o norueguês Audun Carlsen, então com 27 anos.


Carlsen, que afirmou ter sido algemado e espancado, com a ajuda de um cumplice, durante algum tempo. Como George O'Dowd (o seu verdadeiro nome) já tinha cumprido uma sentença comunitária em 2006 por posse de cocaina, o tribunal achou por bem aplicar a uma pena pesada. O advogado de defesa disse que não ia apelar do veredicto. E vai caindo cada vez mais, mais, mais... parece que só se acalma quando morrer. Há alguns que querem isso.

sábado, 20 de dezembro de 2008

The End: Mark Felt, o "Garganta Funda" (1913-2008)

Mark Felt, o homem que deu ao mundo os pormenores que ajudaram Bob Woodward e Carl Bernstein a escrever no Washington Post os detalhes do "caso Watergate", que levou à demissão de Richard Nixon, em 1974, morreu esta quinta-feira em Washington, aos 95 anos de idade.

Felt nasceu a 17 de Agosto de 1913 como Walter Mark Falt, na cidade de Twin Falls (Idaho). Filho de um carpinteiro, graduou-se com um Bacharelato de Artes na Universidade de Idaho, em 1935. Sete anos depois, já em Washington, licenciou-se em Direito, e começou a trabalhar no gabinte de dois senadores do seu estado. Antes de entrar no FBI, em 1942, trabalhou na Comissão de Comércio, um trabalho que segundo as palavras do próprio, "detestou". No "Bureau", trabalhou na secção de espionagem da agência durante a II Guerra Mundial e depois percorreu outras secções, primeiro da Secção Atómica, onde escrutinou todos os trabalhadores da áera, procurando por espiões soviéticos (já se tinha entrado na era da Guerra Fria) e depois, em 1958, em Las Vegas, onde começou a investigar os tentáculos da Máfia no jogo.

Em 1962, volta a Washington, para o Departamento de Assuntos Interbnos, e em 1971, ascendeu a numero três do FBI, esperando ser o sucessor do mítico J.Edgar Hoover. Quando este morreu, em Abril de 1972, isto tinha acontecido apenas algumas semanas antes do famoso asslato ao edificio Watergate, onde estava instalada a sede do Partido Democrata.

Com a morte de Hoover, Felt esperava que Richard Nixon o nomeasse como sucessor. Mas o então presidente americano tinha outros planos, e decidiu que o melhor para o lugar seria Louis Patrick Gray (1916-2005), Felt foi o numero dois, encarregue da matéria operacional que recolhia e entregava ao presidente. Só que na noite de 17 de Junho de 1972, um guarda do Edificio Watergate, Frank Willis (1948-2000), descobre cinco ladrões no Edificio Watergate e chama a Policia.


De inicio, o FBI investiga o caso, a pedido do Presidente, mas Gray, que era um homem doente, delega poderes a Felt, que sendo o "numero 2", era o homem do terreno e o verdadeiro operacional da agência, e foi descobrindo as razões por detrás do assalto ao edificio. No inicio de 1973, Gray demite-se e Felt esperava que Nixon o pudesse nomear para o lugar, mas não o fez.

Entretanto, o "Washington Post", chefiado por Ben Bradlee, delegara dois jovens jornalistas, Bob Woodward e Carl Bernstein, para seguir a história do arrombamento dos escritórios do Partido Democrata. Inicialmente seria algo pouco interessante, mas quando se descobriu que os ladrões eram ex-operacionais da CIA (dois deles eram de origem cubana), e estavam com os bolsos cheios de notas, e um desses ladrões era E. Howard Hunt (1918-2007), que trabalhava no gabiente presidencial de Richard Nixon.

Cedo Felt descobriu que este assalto era mais uma manobra suja conduzida directamente por membros do "staff" presidencial, só que não sabia se era por ordem directa do Presidente Nixon. Mas à medida que as semanas passavam, e operacionais como Hunt, G. Gordon Liddy, Samuel Colson, Edward Haldermann, John Erlichmann, Ed Krogh e outros, contavam o esquema e revelavam o grau de importância que isto tinha, chegou-se à conclusão que o assalto teve orden directa de Nixon. Para mais, ele próprio gravava secretamente todas as conversas, o que lhe viria a ser fatal...

Felt descobriu que Woodward, um dos jornalistas do Washington Post, tinha sido ajudante de Thomas H. Moorer, o então Chefe das Forças Armadas, durante o seu tempo como oficial da Marinha, e achou por bem ajudá-lo a revelar os pormenores do escândalo. Aos poucos e poucos, trocaram correspondência em sítios esconsos como a garagem de um parque de estacionamento no centro de Washington, através de códigos secretos. Se Felt queria falar, marcava a vermelho a página 20 do New York Times que Woodward recebia em casa. Se fosse o contrário, seria Woodward que movia determinado vaso do seu lugar. Quanto ao nome da fonte, baptizaram-no com o nome do filme mais famoso de época: "Garganta Funda", o primeiro filme pornográfico de massas.

Com o tempo, o escândalo alcançou porporções enormes. Nixon, suspeitando que a fonte vinha do FBI, pediu a... Mark Felt para que investigasse a origem da fonte. Entretanto o Congresso tinha criado uma Comissão Conjunta do Senado, composta por Republicanos e Democratas, onde se contavam elementos como William Cohen (futuro Secretário da Defesa com Bill Clinton) ou Fred Thompson (futuro candidato presidencial e... actor de Hollywood). Todos os conselheiros foram chamados, e todos indicavam que o "senhor X" era Nixon. Estas audiências eram seguidas em directo por milhões de espectadores na televisão, ao longo de 1973, até à Primavera de 1974.

Quando se descobriu que Nixon fazia gravações da suas conversas na Sala Oval, a Comissão exigiu-as, mas o presidente fez finca-pé. Finalmente acedeu, mas quando descobriram que havia partes largamente deletadas (apagadas) que o comprometiam, a opinião pública começou a apoiar a ideia de destituição, ou então a de demissão do Presidente. A 2 de Agosto de 1974, a Comissão votou favoravelmente uma moção, recomendando que o Congresso apresentasse uma moção "to impeach", ou seja, para o demitir. Na noite de 8 de Agosto de 1974, num discurso à Nação, Richard Nixon demitia-se do cargo, o unico presidente que o fez até agora.

Quando isso aconteceu, Felt tinha saído do FBI um ano antes, e estava a braços com a Justiça devido a metodos ilegasi para obter provas contra uma organização terrorista chamada "Weather Undeground", que tinha colocado bombas contra edificios publicos nessa altura. Felt tinha sido multado em cinco mil dólares em 1980, mas mais tarde foi perdoado por Ronald Reagan.



O caso Watergate deu um livro, "Os Homens do Presidente", que foi passado para filme em 1976, com Alan J. Pakula como realizador, e Dustin Hoffman e Robert Redford como Carl Berstein e Bob Woodward, e Hal Holbrook como "Garganta Profunda". Nessa altura, especulava-se quem era ele, e Woodward tinha jurado que só o ia revelar após a sua morte ou antes, caso o quisesse. Muitos nomes foram ditos, como Alexander Haig (mais tarde Secretário de Estado de Reagan), a jornalista Diane Sawyer, o Secretário de Imprensa Ron Ziegler, e o então director da CIA, William Colby entre outros nomes, incluindo o próprio Felt. Mas este negou-o durante anos, mesmo quando publicou a sua autobiografia.


Mas em Junho de 2005, um artigo da revista Vanity Fair revelou-o, então com 91 anos, velho e frágil, vivendo com a sua filha Joan em Santa Rosa, na California. Quando os jornalistas chegaram à sua casa, ele afirmou "Sou a pessoa que costumavam chamar de 'Garganta Funda'", revelando-se assim um dos segredos mais bem guardados do jornalismo do século XX. Ars lunga, vita brevis.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A ganância não compensa. Mas as pessoas não querem saber disso.

Durante anos e anos, disseream-nos que os esquemas em pirâmide nunca funcionariam, pois isso implicava a entrada constante de dinheiro fresco, e que ao fim de um certo tempo, "explodiria", tal qual uma bolha. Em Portugal, há 25 anos atrás, tivemos um escândalo destes, onde milhares de pessoas ficaram arruinadas depois de uma senhora, conhecida como "Dona Branca", no qual se prometiam taxas de juro ainda mais altas daquelas que se praticavam nos bancos. Por causa disso, esse tipo de esquemas ficou com esse nome: Dona Branca.







Nos Estados Unidos tem outro nome: "Ponzi scheme", que foi baptizado com o nome de Carlo Ponzi, um emigrante italiano que em 1921, levou milhares de pessoas da área de Boston a depositarem as suas poupanças num esquema em tudo semelhante. Com esse dinheiro, Ponzi queria não só enriquecer, como também comprar um banco local para ter uma "cobertura" para o seu esquema. Falhou. E quando foi descoberto, quase milhões de dólares tinham, desaparecido, e foi parar à cadeia por mais de vinte anos.






Pensamos que as pessoas tinham aprendido. Se sim, esquecem depressa, pois agora, apareceu outro Ponzi, numa das últimas pessoas onde se poderia suspeitar de uma tal falcatrua: Bernard Madoff, ex-presidente da NASDAQ, a bolsa electrónica de Nova Iorque. Com este esquema piramidal, no qual dezenas de bancos em todo o mundo cairam (HSBC, Royal Bank of Scotland e Barclays, em Inglaterra, Santander e BBVA em Espanha, BNP Paribas em França e eventualmente o BPN português), conseguiu arredacar perto de 50 mil milhões de dólares (37,5 mil milhões de euros). Com isto, Madoff foi preso e acusado de fraude, e pode ir para a cadeia por mais de vinte anos. Como actualmente Madoff tem 70 anos, isto faz com que arrisque a passar o resto da sua vida por detrás das grades...




Eu pergunto: como é que deixaram passar isto? Como é que as entidades de supervisão americanas deixaram passar todo este tipo de esquemas durante anos a fio no sistema financeiro? Ganância pura e simples? Confiança cega nas pessoas? Se as pessoas disserem "eu tenho x no banco", ou "eu tenho posição e contactos", as pessoas confiam cegamente? E como é que chegou a um cargo tão importante como o de ser presidente do NASDAQ? Começo a desconfiar que todo este esquema financiro, todos estes "hedge funds" não eram mais do que castelos no ar. E por causa isso, milhões perderam as poupanças de uma vida...

Já agora, para acabar, dois factos interessantes: Ponzi e Dona Branca acabaram os seus dias na miséria, e o italiano, aliás, depois de cumprir pena, fugiu para o Brasil, onde acabou por falecer por lá, em 1949. Eventualmente, Madoff pode não ter essa sorte...